quinta-feira, julho 9, 2026
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Eu não fiquei com raiva, eu perdi a admiração que tinha por você. Isso é bem pior

Raiva passa. Raiva é quente, grita, explode, e depois esfria. Você briga, você chora, você xinga, e, no outro dia, até manda mensagem. Raiva é passageira. Agora, admiração… Admiração, quando quebra, não volta mais.
Não foi quando você gritou comigo que eu mudei. Não foi quando você me deixou esperando que eu mudei. Não foi quando você mentiu que eu mudei. Foi quando, no meio de tudo isso, eu percebi que eu não te admirava mais. E aí tudo desmoronou por dentro, em silêncio.
Porque, enquanto eu te admirava, eu aguentava. Eu justificava seus defeitos, eu passava pano, eu achava bonito até o que me machucava. Eu te colocava num lugar alto, e, de lá de cima, tudo que você fazia parecia menor. Mas, no dia que meus olhos abriram, o pedestal caiu. E, com ele, caiu o amor, caiu o respeito, caiu a vontade.
É que a gente não larga quem ama por raiva, a gente larga por decepção. E decepção não faz barulho, faz vazio. Você continua ali, falando, prometendo, tentando, mas eu já não estou mais ali. Meu corpo está, minha educação está, mas meu coração já foi embora há muito tempo.
E é nessa hora que eu entendo com clareza: eu não fiquei com raiva, eu perdi a admiração que tinha por você. Isso é bem pior. Porque raiva ainda é sentimento, ainda é vínculo, ainda é calor. Perder a admiração é frio. É olhar para você e não ver mais nada que me inspira. É te ouvir e não acreditar. É te ver e não sentir orgulho.
Admiração é a base de tudo. Você pode amar alguém bonito, mas, se não admira o caráter, o amor vira prisão. Você pode amar alguém inteligente, mas, se não admira a lealdade, o amor vira medo. Você pode amar alguém carinhoso, mas, se não admira as atitudes, o amor vira peso.
Eu te admirava quando você era verdadeiro, mesmo quando doía. Eu te admirava quando você assumia seus erros, mesmo sendo difícil. Eu te admirava quando você lutava por nós, mesmo cansado. Era isso que me prendia. Não era seu beijo, era seu caráter. Não era seu abraço, era sua postura.
por Marcos Adriano 
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