Medida reduz contribuições no último trimestre de 2026, prevê orçamento menor para 2027 e reforça estratégia de gestão eficiente
Em um momento de pressão sobre as contas públicas e de redução da arrecadação municipal nesta época do ano, o Consórcio Intermunicipal Multissetorial do Médio Piracicaba (Consmepi) adotou uma política de redução de despesas. A ação deverá gerar uma economia de R$516.897,62 para os municípios consorciados nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2026.
A medida foi apresentada durante assembleia do consórcio na quarta-feira (26) e recebeu avaliação positiva dos prefeitos. A redução considera contribuições relacionadas ao rateio das despesas administrativas, ao Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e à área de Engenharia. No total, serão R$166.861,39 em economia no rateio, R$242.772,51 no SIM e R$107.263,72 em Engenharia.
Entre os municípios, João Monlevade terá a maior economia, estimada em R$87.582,49, seguida por Itabira, com R$77.585,91. São Domingos do Prata terá redução de R$37.801,67; Rio Piracicaba, R$32.478,69; Alvinópolis, R$31.897,58; e Santa Bárbara, R$29.722,71.
A redução também considera uma perspectiva de menor custo para os municípios em 2027. O orçamento do Consmepi para o próximo exercício será R$464 mil menor em comparação com o orçamento de 2026.
Alívio para os municípios
Segundo o presidente prefeito de Rio Piracicaba e presidente do Consmepi, Augusto Henrique da Silva, a decisão ocorre em um cenário de dificuldades financeiras enfrentado pelos municípios, especialmente no encerramento do exercício, quando a arrecadação tende a sofrer redução.
A avaliação dos prefeitos durante a assembleia, segundo Augusto, foi positiva. Alguns gestores chegaram a destacar que a economia proporcionada pelo consórcio poderá contribuir diretamente para o pagamento de despesas municipais no fim do ano. “Todos ficaram muito satisfeitos. É uma economia que vai ajudar os cofres dos municípios, que estão vivendo um momento de recessão”, afirmou o presidente.
“Choque de gestão
Para Augusto Henrique, a redução não significa diminuição da capacidade de atuação do consórcio. Ao contrário, representa uma mudança na forma de administrar os recursos. O presidente classifica o processo como um “choque de gestão”, iniciado há dois anos e que vem produzindo reduções sucessivas nos custos aos cofres dos municípios associados.
Segundo ele, o Consmepi reduziu despesas em 2025, iniciou 2026 com um orçamento menor e, para 2027, promove uma nova redução, mesmo com previsão de novas contratações. A estratégia é tornar os gastos mais eficientes, rever despesas e ampliar a divisão dos custos entre os municípios que integram o consórcio.
A política já apresentou resultados em outras áreas. Neste ano, o Consmepi também conseguiu obter descontos nas despesas com energia elétrica, reduzindo mais uma fonte de custo para a estrutura do consórcio e reforçando a estratégia de revisão dos gastos. “Estamos tomando decisões que eficientizam o gasto e melhoram a forma de gastar. Outros municípios entraram no consórcio e começaram a dividir a despesa total por mais municípios”, destacou.
A lógica está diretamente relacionada à própria finalidade dos consórcios públicos: permitir que municípios compartilhem estruturas, serviços e despesas, obtendo maior eficiência e economia de escala.
Desconto no último trimestre
Dentro da redução prevista para o último trimestre de 2026, o Consmepi também estabeleceu um desconto de 50% na contribuição mensal referente ao rateio das despesas administrativas para os municípios que estiverem em dia com suas obrigações até 21 de setembro.
Segundo a secretária executiva do Consmepi, Christiane Linhares, a medida faz parte do ajuste interno de despesas realizado pelo consórcio. “Essa redução foi possível mesmo diante da previsão de novas contratações, resultado da revisão do planejamento e da reorganização das despesas”, afirma.
Gestão austera
A política adotada pelo Consmepi procura conciliar dois objetivos: reduzir a pressão financeira sobre os municípios e manter a qualidade dos serviços oferecidos pelo consórcio. Para o presidente, a iniciativa demonstra que responsabilidade fiscal não significa apenas cortar despesas, mas também buscar formas mais eficientes de utilizar os recursos públicos.
A proposta, segundo Augusto, é que o Consmepi continue cumprindo sua função de otimizar custos, compartilhar compras e iniciativas e tornar os serviços públicos mais eficientes, ampliando a capacidade dos municípios de fazer mais com menos recursos, por meio de planejamento, integração e gestão responsável. “Em um cenário no qual muitos municípios enfrentam dificuldades para equilibrar seus orçamentos, a redução das contribuições representa um alívio direto para as administrações. Ao mesmo tempo, a previsão de um orçamento menor para 2027 sinaliza que a política de contenção não é uma medida pontual, mas parte de uma estratégia de nossa gestão, buscando o melhor para a coletividade”, afirma Augusto Henrique.








