Um dos quatro presos pela morte de Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, compareceu à delegacia pedalando a bicicleta usada pela vítima na noite do espancamento. O veículo, que motivou as agressões, pertencia à irmã de Cláudio.
O segurança de rua Davi Santos Machado, de 21 anos, prestou depoimento na segunda-feira, 17, na condição de testemunha e negou ter presenciado ou participado das agressões. No dia seguinte, voltou à 12ª DP (Copacabana) e confessou o crime.
Davi chegou à unidade policial com a bicicleta que estava com Cláudio no dia 11 de agosto. Imagens analisadas pela Polícia Civil mostram que o veículo havia sido levado após o espancamento por outro homem envolvido no caso.
Uma testemunha contou que Cláudio chegou a um estabelecimento comercial de Copacabana por volta das 23h20 e pediu um cigarro. Como não tinha dinheiro, não recebeu o produto. Pouco depois, Davi apareceu e perguntou sobre a bicicleta.
Cláudio respondeu que não era o dono do veículo. A informação levantou suspeitas, embora a bicicleta pertencesse à irmã dele e não houvesse qualquer confirmação de furto.
Segundo o depoimento, Davi pediu que um funcionário guardasse a bicicleta. O veículo foi colocado próximo a galões de água e preso com um cadeado. Após fotografá-lo, o segurança deixou o local.
Davi voltou pouco depois, disse ter encontrado o proprietário da bicicleta e retirou o cadeado. Cláudio seguiu o segurança na tentativa de recuperar o veículo.
Momentos mais tarde, um cliente avisou ao funcionário que dois homens agrediam uma pessoa com pedaços de madeira. Ao sair do estabelecimento, a testemunha afirmou ter visto Davi e outro segurança golpeando Cláudio na rua e na calçada. Um dos envolvidos deixou o local com a bicicleta.
Cinco dias após o crime, Davi procurou a polícia e prestou depoimento como testemunha. Segundo os investigadores, ele mentiu ao afirmar que não havia visto nem participado das agressões.
Ao retornar à delegacia no dia seguinte, o segurança admitiu ter atacado Cláudio com socos, chutes e um cacetete. Disse ainda que, em um “ato insano”, desferiu diversos golpes contra a cabeça da vítima e que não sabia explicar o motivo de ter agido daquela maneira.
Davi reconheceu que não havia informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. Também afirmou que Cláudio não resistiu à abordagem, obedeceu às ordens do grupo e não pediu socorro.
*O Estadão








