domingo, agosto 9, 2026
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Teatro em Movimento celebra 25 anos em Itabira com Jonas Bloch e o seu espetáculo “Delírio”

Emocionante homenagem à poesia de Manoel de Barros, monólogo será na sexta, 14 de agosto, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. “Delírio” une teatro, poesia e artes visuais em uma experiência sensível inspirada na obra de um dos maiores poetas brasileiros

O Festival Teatro em Movimento, que tem curadoria e coordenação geral de Tatyana Rubim, leva à Itabira, na sexta-feira, dia 14 de agosto, às 20h, o espetáculo Delírio, monólogo do ator Jonas Bloch. A montagem, que integra a programação que celebra os 25 anos do Festival Teatro em Movimento, é inspirada na obra do poeta Manoel de Barros. A apresentação será realizada no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e convida o público a mergulhar em um universo onde poesia, memória, natureza e imaginação se encontram.

Em formato de monólogo, a montagem transforma a poesia do escritor em experiência cênica e conduz o público por uma jornada marcada pela delicadeza, pela imaginação e pela beleza encontrada nas pequenas coisas da vida. Em Delírio, poesia e teatro caminham juntos para revelar o universo singular criado por Manoel de Barros. As lembranças da infância, os cenários do Pantanal, a natureza, o humor e a forma inovadora com que o poeta reinventava as palavras ganham vida na interpretação de Jonas Bloch, em uma encenação que valoriza tanto a força do texto quanto a expressividade das imagens.

“Levar Delírio para Itabira tem um significado especial. É um espetáculo inspirado na obra de Manoel de Barros que chega justamente à cidade de Carlos Drummond de Andrade, promovendo um encontro simbólico entre dois grandes nomes da poesia brasileira. Tudo isso conduzido pela sensibilidade de Jonas Bloch, um artista que transforma poesia, teatro e artes visuais em uma experiência emocionante para o público”, afirma a coordenadora do Teatro em Movimento, Tatyana Rubim.

A criação de Delírio nasceu da profunda admiração de Jonas Bloch pela literatura de Manoel de Barros. Ao entrar em contato com seus textos, o ator encontrou uma escrita marcada pela humanidade, pelo humor e por uma capacidade única de transformar elementos aparentemente comuns em poesia. A partir dessa descoberta, selecionou alguns dos textos mais representativos do autor e construiu um delicado monólogo, que se tornou também uma declaração de amor à literatura brasileira.

Mais do que declamar poemas, o espetáculo convida o público a experimentar a maneira como Manoel de Barros enxergava o mundo. Ao longo da apresentação, o espectador é conduzido por um percurso sensível, em que o cotidiano se torna extraordinário, a simplicidade revela profundidade e a imaginação rompe os limites entre realidade e fantasia. O resultado é uma montagem que emociona, provoca reflexão e reafirma a atualidade da obra do escritor.

Conhecer a poesia de Manoel de Barros é, para Jonas Bloch, descobrir uma nova maneira de perceber a vida. “Sofisticado e ao mesmo tempo popular, ele nos revela os encantos da Natureza, visões do Pantanal e nos transporta às suas reminiscências numa linguagem elaborada, fascinante, inovadora, cheia de humor”, diz o Bloch.

A apresentação em Itabira conta com patrocínio da Vale e apoio da Prefeitura de Itabira e da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade.

Poética do cenário

Essa relação entre ator e poeta ultrapassa a interpretação. Em Delírio, Jonas Bloch participou também da criação do cenário. Inspirado na obra do artista Arthur Bispo do Rosário, desenvolveu painéis compostos por objetos, desenhos e diferentes texturas, construindo uma cenografia que dialoga diretamente com a linguagem poética de Manoel de Barros. O cenário não funciona apenas como elemento visual, mas integra a narrativa, estabelecendo uma relação permanente entre palavra, imagem e memória.

A opção por criar pessoalmente a cenografia traduz o envolvimento do ator com o espetáculo. Com mais de seis décadas dedicadas ao teatro, Jonas Bloch apresenta um trabalho que sintetiza sua maturidade artística e sua paixão pela profissão. Em cena, literatura, artes visuais e interpretação se encontram para construir uma experiência que desperta emoção e convida o público a desacelerar o olhar diante da vida.

O próprio ator resume a essência da montagem como “uma profunda correlação entre sua fala poética com as imagens visuais, um convite a visitar o sentido mais simples e encantador da vida”.

Um poeta que reinventou a linguagem

Reconhecido como um dos maiores escritores brasileiros, Manoel de Barros construiu uma obra singular, marcada pela invenção da linguagem e pela valorização da natureza, da infância e das pequenas descobertas do cotidiano. Sua produção literária recebeu importantes premiações, entre elas o Jabuti, e conquistou admiradores dentro e fora do Brasil.

O escritor espanhol Jorge La Rossa, tradutor de sua obra, definiu a poesia de Manoel de Barros como”a obra de Barros é inexplicável como o milagre, como qualquer obra de arte quando genuína. É um poeta por necessidade, por dom”. A admiração pelo poeta também foi manifestada por Carlos Drummond de Andrade, que o definiu como”o maior poeta vivo”.

Ao reunir parte desse universo poético em um espetáculo teatral, Delírio propõe ao público um encontro entre literatura e cena, oferecendo uma experiência que ultrapassa a narrativa tradicional e convida à contemplação, à escuta e à imaginação.

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