Todo mundo está sabendo de tudo o tempo todo, e todo mundo está ansioso por causa disso. Sabe da vida do ex, da briga dos outros, do novo relacionamento da amiga da amiga, da polêmica do dia, da fofoca da semana.
Vive com o dedo nervoso atualizando feed, com o ouvido atento para qualquer barulho, com medo de perder alguma coisa, mesmo que essa alguma coisa só traga angústia.
E você já parou para pensar no preço que paga por isso? É a sua paz que vai embora. É a sua mente que nunca descansa. É o seu coração que vive comparando a sua vida real com a vida editada dos outros.
Você consome a vida de todo mundo, menos a sua. Sabe tudo sobre todos, mas não sabe mais o que te faz feliz de verdade.
Essa necessidade de saber de tudo é uma prisão disfarçada de conexão. Você acha que está informado, mas está intoxicado. Acha que está por dentro, mas está por fora de si mesmo.
Cada fofoca que você escuta, cada história que você acompanha sem precisar, cada energia pesada que você traz para dentro da sua casa, vai te sujando um pouco por dentro. E quando vê, está carregado, cansado, irritado, sem nem saber o porquê.
Estar por fora de tudo, às vezes, é libertador. Viu fulano? Não. Viu o que aconteceu? Não. Ficou sabendo? Também não.
E que alívio dizer isso. Que alívio não ter opinião sobre tudo, não precisar tomar partido em briga que não é sua, não precisar carregar nos ombros a vida que não é sua.
Que alívio fechar a porta do mundo e abrir a janela da sua própria paz. Quando você se retira, você ganha. Ganha tempo, ganha silêncio, ganha saúde emocional.
Ganha noites de sono sem ansiedade, ganha manhãs sem comparação, ganha dias sem veneno. Você começa a viver a sua vida de verdade, não a vida que os outros esperam que você comente.
Não é sobre ser alienado, é sobre ser seletivo. É escolher o que entra na sua mente, o que merece a sua energia, o que realmente importa.
Marcos Adriano







