Vivemos na era do tudo para agora. Um clique, uma curtida, uma mensagem de madrugada e alguém já está na sua porta. Nunca foi tão fácil arrancar a roupa de alguém, e nunca foi tão difícil arrancar um bom dia sincero no dia seguinte.
O toque ficou banal, a presença ficou rara. As pessoas aprenderam a transar antes mesmo de saber o nome uma da outra, mas desaprenderam a conversar, a ficar, a construir. Todo mundo quer sentir prazer, pouca gente quer sentir saudade.
Todo mundo quer corpo, pouca gente quer história. E não, não é moralismo. Sexo é bom, é conexão, é energia. O problema nunca foi o sexo fácil, foi o sentimento raso que veio junto.
Foi gente usando o outro como anestesia, como passatempo, como lista para contar para os amigos. Foi gente entrando nua na cama e vazia na vida do outro. Você já percebeu como está?
A pessoa te quer hoje com uma intensidade absurda, te jura o mundo às duas da manhã, e amanhã some como se você nunca tivesse existido. Te trata como prioridade na madrugada e como opção na luz do dia.
Te chama de amor sem nunca ter te perguntado qual é o seu maior medo. Desde que o sexo ficou fácil de conseguir, o amor ficou difícil de encontrar. Porque amor exige o que quase ninguém está disposto a dar mais.
Tempo, paciência, presença, escolha. Amor exige ficar quando a pele já não é novidade, exige ouvir quando o corpo já não está excitado, exige cuidar quando a carência já passou.
E quem é intenso sofre dobrado nesse jogo. Porque o intenso não quer só uma noite, quer alguém para chamar de casa. Não quer só arrepio na pele, quer paz no peito.
E vai se sentindo deslocado num mundo que chama de exigente quem só quer reciprocidade, que chama de carente quem só quer ser amado com verdade. No fundo, todo mundo sabe.
Por trás de tanto desapego forçado, existe uma fila de gente querendo ser escolhida de verdade. Gente cansada de ser corpo e querendo ser afeto. Cansada de ser para uma noite e querendo ser para a vida.
Marcos Adriano







