Vivemos na era da mentira bonita. Filtro que esconde o rosto, legenda que esconde o caráter, stories que escondem a infidelidade, sorriso que esconde a inveja. Todo mundo parece feliz, todo mundo parece fiel, todo mundo parece perfeito. Mas por trás da tela, tem muita sujeira sendo empurrada para debaixo do tapete.
E o que mais tem é gente achando que é esperta. Que mente e não será descoberta. Que trai e ninguém vai saber. Que engana e vai continuar com fama de santo. Que fala mal pelas costas e depois abraça na frente. A internet deu palco para os mentirosos, mas esqueceu de avisar que a plateia uma hora descobre o roteiro.
Porque pode demorar um dia, um mês, um ano, mas a verdade sempre encontra um jeito de sair. Sempre tem um print que vaza, uma mensagem que chega na pessoa errada, uma história que não bate, um detalhe que entrega. Ninguém sustenta personagem para sempre. Uma hora a máscara cai, e cai feio.
E é por isso que eu sempre digo: a mentira é igual ao lixo jogado debaixo do tapete: uma hora, alguém descobre. E quando descobre, o cheiro é muito pior do que se você tivesse limpado na hora certa. Porque a mentira não apodrece sozinha, ela apodrece tudo ao redor.
Apodrece a confiança, apodrece o amor, apodrece a amizade, apodrece o respeito. Você pode enganar muita gente por muito tempo, mas não pode enganar todo mundo o tempo todo. Uma hora alguém levanta o tapete. E aí não adianta chorar, não adianta pedir desculpas, não adianta dizer que foi sem querer.
O estrago já foi feito. E o pior estrago da mentira não é perder o outro, é se perder de si mesmo. Porque quem mente muito começa a acreditar na própria mentira. Começa a viver uma vida que não é real. Começa a construir relações em cima de areia movediça.
E quando a verdade vem, e ela sempre vem, desmorona tudo. Casa, família, reputação, amizade. Tudo que foi construído na mentira, desaba. A lei do retorno não falha. Ela pode até demorar, mas ela nunca falha. Tudo que você planta, você colhe.
Por Marcos Adriano







