A gente vai aprendendo, com o tempo e com as perdas, a aceitar menos do que merece. Vai normalizando o silêncio onde deveria ter conversa, a ausência onde deveria ter presença, o descaso onde deveria ter cuidado. E o pior não é quando o outro faz isso com a gente. O pior é quando a gente começa a fazer isso consigo mesmo, convencendo a si próprio de que tá bom assim, que pedir mais é exagero, que querer ser prioridade é coisa demais pra se pedir de alguém.
Não é. Nunca foi. A gente só foi ensinado errado sobre o que é normal dentro de uma relação, sobre o que cabe esperar do outro, sobre o quanto é justo e completamente saudável receber de quem diz que te ama de verdade. Porque tem um tipo de amor que a gente sente na pele antes mesmo de conseguir nomear com palavras certas. É aquele em que você não precisa ficar se justificando por existir do jeito que você é.
Não precisa diminuir o que sente pra não assustar ninguém ao redor. Não precisa adivinhar todo dia se é importante ou não pra outra pessoa, porque a resposta já está nos atos, no olhar, na forma como o outro te trata quando ninguém está vendo e não tem absolutamente nada a ganhar com isso. Merecemos alguém que nos enxergue como algo importante demais para perder, que sinta aquele aperto genuíno no peito só de imaginar um dia sem você por perto.
E que escolha, todo dia, estar ao seu lado não por obrigação ou comodidade, mas porque perder você seria perder uma parte real e insubstituível de si mesmo. Isso não é conto de fadas nem promessa vazia feita às três da manhã. É o mínimo que um coração honesto pode oferecer a outro. E se ainda não chegou, não baixe o preço.
Cuida de você enquanto espera. O certo reconhece o certo.
Por- Marcos Adriano








