Secretária municipal de educação e ex-assessor do executivo estão entre os presos. Polícia cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em oito cidades.
A Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, por meio da 2ª Delegacia Regional de Caratinga, deflagrou na manhã de 24 de março de 2025, a operação policial denominada “Forasteiros”. A operação visou desarticular uma organização criminosa que se instalou na Prefeitura de Caratinga, e por meio de fraudes licitatórias, desviavam dinheiro do erário para beneficiar os integrantes dessa organização.
Seis pessoas foram presas, entre elas, a secretária municipal de educação e um ex-assessor do executivo, que foi exonerado recentemente.
A investigação apontou que o líder da organização criminosa teve livre acesso a setores estratégicos da administração municipal, direcionando contratações para beneficiar grupos específicos. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e 5 mandados de prisão temporária nos municípios de Caratinga, Ubaporanga, Ipatinga, Santana do Paraíso, Belo Horizonte, Mateus Leme, Betim e Juatuba.
A operação contou com a participação de 77 policiais civis das delegacias de Caratinga, Inhapim, Ipanema, Ipatinga e Belo Horizonte.
Os dois primeiros grandes contratos fraudulentos assinados foram:
– *Contrato com uma OSCIP no valor de *: R$ 17.969.710,00
– *Contrato emergencial com uma Cooperativa de Transporte no valor de *: R$ 20.547.180,00
Ambos os contratos teriam sido direcionados para pessoas jurídicas previamente escolhidas com o objetivo de desviar recursos públicos. A Polícia Civil identificou movimentações financeiras atípicas entre as pessoas jurídicas envolvidas e seus gestores, incluindo transferências de vultuosos valores entre duas OSCIPs diferentes. As OSCIP são organizações da sociedade civil de interesse público.
A Polícia Civil identificou que o líder da organização criminosa, nomeado como assessor do executivo, embora não fosse oficialmente cooperado ou administrador da empresa contratada, possuía uma procuração que lhe concedia poderes amplos sobre a cooperativa, incluindo movimentação financeira. Essa procuração foi lavrada durante o período eleitoral, indicando um acordo prévio para garantir o contrato após a posse do novo grupo político.
A cooperativa administrada pelo líder da organização criminosa e envolvida em fraudes anteriores, serviu de modelo para a fraude, repetindo o esquema criminoso. No dia 17 de outubro de 2024, poucos dias após o resultado das eleições de 2024, o investigado, por meio da procuração, abriu uma conta bancária em nome da cooperativa, em agência bancária no município de Caratinga/MG, como ato preparatório para o recebimento após a contratação.
Em razão dos graves crimes praticados, foi deflagrada a operação “Forasteiros”, demonstrando o compromisso da Polícia Civil no combate ao crime organizado, que acaba por gerar grande prejuízo aos munícipes. Com as prisões e arrecadação de elementos informativos, a Polícia Civil continuará dando andamento à investigação, visando o completo esclarecimento dos fatos criminosos e suas respectivas responsabilizações legais junto ao Poder Judiciário.